Desde a puberdade até a menopausa, a menstruação faz parte da agenda fisiológica da mulher. O sangramento uterino mensal representa o desfecho de um ciclo, cujo objetivo é assegurar a reprodução da espécie.

A cada mês, sob a influência de diversos hormônios, um óvulo é exposto para ser fecundado e, simultaneamente, o interior do útero é preparado para receber, abrigar e nutrir o futuro embrião. Não havendo fecundação (gravidez), todo esse preparativo é desfeito e ocorre a descamação do endométrio, originando a menstruação e inicia-se um novo ciclo.

Os distúrbios menstruais são problemas que frequentemente preocupam as mulheres. O sangramento uterino anormal, ou excessivo, é uma de suas formas, que pode ocorrer por aumento da quantidade, frequência ou duração do ciclo menstrual. São várias as causas que podem levar ao sangramento uterino anormal, e essas devem ser diagnosticadas para a realização de um tratamento eficaz. Dentre os distúrbios menstruais mais frequentes encontra-se o sangramento uterino anormal, uma queixa comum nos consultórios de ginecologia, acometendo mulheres de todas as faixas etárias, desde a adolescência até a perimenopausa.

O sangramento uterino anormal é uma alteração do padrão menstrual normal, é um sintoma e não um diagnóstico, por isso, o estabelecimento de sua causa específica permitirá o tratamento adequado. É fundamental que a mulher, ao notar qualquer alteração no fluxo menstrual, procure um ginecologista para avaliar as possíveis causas da anormalidade e, dessa forma, indicar o melhor tratamento.

Padrões normais de sangramento

Os padrões normais do ciclo menstrual quanto à quantidade, duração e frequência são:

  • Quantidade: perda sanguínea em torno de 40 ml (25 a 70 ml).
  • Duração do fluxo: 2 a 7 dias.
  • Frequência dos fluxos: entre 21 a 35 dias.

Sangramento uterino anormal

Sangramento uterino anormal é aquele que apresenta uma alteração em um ou mais desses três parâmetros, ou seja, um sangramento excessivo em duração, frequência ou quantidade. Com relação a este último parâmetro, não existe uma maneira prática e objetiva capaz de medir a quantidade de sangue eliminado, porém, se o sangue menstrual forma coágulos, provavelmente a perda é maior que o normal e quanto mais coágulos maior a perda.

Os padrões anormais de sangramento são:

  • Polimenorréia: menstruação demasiado frequente com intervalo menor de 25 dias.
  • Oligomenorréia: menos de nove ciclos menstruais ao ano, apresenta as mesmas causas de amenorréia secundária e deve receber, portanto, avaliação idêntica.
  • Hipomenorréia: fluxo escasso
  • Menorragia/hipermenorréia: volume superior a 80 ml ou sangramento superior a 7 dias com intervalos regulares.
  • Metrorragia: sangramento com intervalos irregulares, mas frequentes, com volume e duração variáveis.
  • Menometrorragia: sangramento prolongado ocorrendo a intervalos irregulares.
  • Sangramento intermenstrual: sangramento entre ciclos regulares.

Mas mais significativo que ter um sangramento fora dos padrões normais, é a mudança no padrão próprio de cada mulher, pois usualmente a mulher apresenta um mesmo padrão menstrual durante toda a vida reprodutiva.

Causas de sangramento uterino anormal

O sangramento uterino anormal pode ocorrer por inúmeras causas. Em aproximadamente 25% dos casos, ele é causado por um distúrbio físico, chamado orgânico. Nos outros 75%, ele é causado por distúrbios hormonais que afetam o controle do sistema reprodutivo pelo hipotálamo e pela hipófise e que são particularmente comuns durante os anos reprodutivos. Este tipo de sangramento é conhecido como sangramento uterino disfuncional.

Dentre as diversas causas orgânicas podemos citar:

  • Hipo ou hipertireoidismo
  • Alterações de coagulação
  • Doenças dos rins e fígado
  • Problemas gestacionais: aborto, gravidez ectópica, placenta baixa.
  • Miomas.
  • Pólipos.
  • Hiperplasia endometrial.
  • Doença inflamatória pélvica.
  • Tumores ovarianos produtores de hormônios
  • Neoplasias uterinas
  • Lesões na vagina e do colo do útero.
  • Uso de DIU.
  • Uso de hormônios orais ou injetáveis.
  • Uso de outros medicamentos, como por exemplo, anticoagulantes e tranquilizantes.

Sangramento uterino disfuncional

O sangramento uterino disfuncional é o sangramento anormal decorrente de alterações hormonais e não de uma lesão, uma inflamação, uma gravidez ou um tumor. O sangramento uterino disfuncional ocorre mais comumente no início e no final dos anos reprodutivos: 20% dos casos ocorrem em adolescentes e mais de 50% em mulheres com mais de 45 anos. A maioria dos sangramentos uterinos anormais é do tipo disfuncional, mas este diagnóstico somente é feito quando todas as outras possibilidades são descartadas.

O sangramento uterino disfuncional é representado por duas situações distintas. Aquele que ocorre em pacientes que estão ovulando e o que ocorre nas pacientes que não estão ovulando.

O sangramento uterino disfuncional em pacientes que estão ovulando são variáveis biológicas do ciclo menstrual normal, sem maiores consequências clínicas.

A anovulação crônica representa 80% dos casos de hemorragias disfuncionais. O sangramento pode ser leve ou intenso, constante ou intermitente, geralmente não associado a sintomas de tensão pré-menstrual, retenção hídrica ou dismenorréia, embora algumas vezes a paciente relate cólicas devido à passagem de coágulos pelo canal cervical. È causa frequente de infertilidade.

Tratamento

O tratamento irá variar com o tipo e a causa do sangramento uterino anormal. Nos casos em que uma doença orgânica é a causa do distúrbio menstrual, essa deverá ser tratada de modo específico.

O objetivo principal, no sangramento uterino disfuncional, é restaurar o controle natural hormonal sobre o tecido endometrial. Na grande maioria dos casos o tratamento conservador hormonal é suficiente. O tratamento cirúrgico é a segunda opção, em caso de falha ou progressão do sangramento uterino disfuncional.

No sangramento uterino disfuncional ovulatório a paciente necessita apenas de esclarecimento. Se, entretanto, os ciclos forem muito curtos, a ponto de incomodar a mulher, ou a perda sanguínea for abundante ou prolongada, justifica-se um tratamento hormonal. Nestas eventualidades, uma simples complementação com um progestogênio na segunda metade do ciclo, um esquema cíclico de estrogênio e progestogênio, ou um anticoncepcional oral resolverão o problema.

Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/4709/-1/disturbios-menstruais.html

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